| Diário de um feijão |
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quinta-feira, agosto 22, 2002
Tem cada uma...
Em Recife, o diretor de um presídio instalou telefones fixos em celas de uns presos "gente boa" Em São Paulo, o segurança da guarita de uma casa de detenção era um boneco de pano No Rio, já divulgaram nome, sobrenome, endereço e CPF do traficante que vai substituir o Vado na chefia do tráfico no Jacarezinho A cada dia que termina, percebo que nada mais me surpreende nessa vida... Como dizem por aí: tem cada uma que parece duas. Comments: segunda-feira, agosto 19, 2002
Quem morre?
A idéia de criar um blog foi colocada em prática muito mais pela oportunidade de divulgar textos de autores diversos que gosto de ler e reler do que os meus próprios. Por isso, mando mais um para o deleite dos meus corajosos visitantes. Lá vai: Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo. Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços, sentimentos. Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante. Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe. Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar Pablo Neruda Comments: quinta-feira, agosto 15, 2002
Caras na rua
A proximidade das eleições tem uma grande vantagem: a gente passa a conhecer as caras dos políticos que até então a gente só conhecia por nome. Tem rostos de todos os tipos! Tem os bonitos que vc achava que eram feios e os muitos feios que quase nos forçam a riscá-los da nossa chapa, quando é o caso... Ai ai ai... Que tristeza. Comments: quarta-feira, agosto 14, 2002
Eu sei, mas não devia...
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta e que, gasta de tanto se acostumar, se perde de si mesma. (Clarice Lispector) Comments:
Quebra de resistência
É incrível como o passar do tempo vai mudando a gente aos poucos. Não sei se é um benefício da maturidade ou medo de não ter tempo para fazer de tudo... À medida que vou ficando mais velha, percebo que vou quebrando resistências. Essa é uma delas. Eu sempre reneguei com todas as minhas forças a possibilidade de ter um blog. "Bobagem, coisa de adolescente", pensava. E cá estou eu... Jamais imaginei operar o olho com aqueles laseres ultra modernos. Agora, penso em simular o grau da minha miopia para conseguir operar pelo plano. Jamais aceitei a idéia de voltar a usar aparelho odontológico, muito menos na beira dos 30. Hoje estou com dor de dente por um siso arrancado - condição para o uso, em breve, do aparelho. Jamais imaginei entrar numa sala de cirurgia, a menos que fosse para ter o meu filho. Hoje morreria por uma lipoaspiração!!!!!! É mole? Comments:
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