Diário de um feijão

quarta-feira, outubro 30, 2002


Beijo

Essa eu afanei sutilmente do Ludovico, blog da Isabela Bastos (ou Isabelita dos patins).

Um Bonde Chamado seu Beijo

Quem encobrirá meu sono?
Beijará quem minhas costas no cotidiano?
Quem, no meio do frio, me cobrirá com lindas orelhas
e me dirá palavras indecentes nos ouvidos?
Quem, atrevido, me acordará com o ponteiro em riste
como um pássaro que não quer tudo
apenas o céu, a gaiola, o alpiste?
Quem que, quando eu dormisse, por mim zelasse
e eu, quando acordasse, lhe fizesse iogurtes brejeiros
massagens nos pés, cumplicidades de enlace?
Quem me agarrará por trás quando eu sair cheirosa do banho
e terá orgulho de eu ser guerreira e perfumada ao mesmo tempo?
Quem em bom senso dirá que muito me assanho
quem orientará a guerrilha diária a que me proponho
quem será inteligente e gostoso a meu lado como está no meu sonho?
Quem, a quem me disponho a cozinhar e fazer versos
quem racional e perverso cochichará nos tímpanos da minha alma
a doce ordem, a venal palavra: Calma?
Quem com sua alma me mostrará um mar vertical?
Quem, meu igual, me apontará andores reais, sem excesso de glacê no bolo
Com determinação de touro e a nobreza de poder ser banal?
Quem, coisa e tal, me beijará a boca e me enfiará as mãos
por debaixo da barra do segredo do vestido
e um dia passeará comigo no segredo contido na Barra do Jucu?
Quem, senão tu que eu elejo, eu planejo, pode habitar o lugar
a suíte que há tanto tenho reservado?
Quem, encomendado, pode me manter na confiança dos edredons
enquanto não chega?
Quem, com certeza, me visitará num outubourbon no gume da lira
de eu ser égua, cadela, mulher e sua?
Quem sobre mim sua, pinga, chove?
Quem que com lucidez resolve o abismo simples de prever o risco de sonhar
pra nele mesmo cair, rir
e se embolar?
Quem me dará a idéia de conceber a saudade no sentido tático
quem, não estático, de longe me fará cometer poemas de meia-noite?
Quem, sem favor, me estende o braço com rosas na mão
com explicação pro meu calor?
Quem, senão meu doido bondinho
meus olhos acesinhos, meu comedor...
Meu triz, meu risco
meu cristo redentor?
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terça-feira, outubro 29, 2002


Vitória

Lula está eleito. É o presidente do Brasil. É a vitória da classe trabalhadora, da maturidade, da simplicidade, da persistência e da autoconfiança. Valeu a pena.
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sexta-feira, outubro 18, 2002


Pobreza

O problema de pegar um ônibus sintonizado na 98 FM é ainda maior quando o infeliz que está sentado ao seu lado resolve acompanhar as músicas em inglês. Foi o que aconteceu comigo ontem, às dez e meia da noite. Só não me joguei pela janela porque o ônibus era frescão e as janelas não abriam...
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sexta-feira, outubro 11, 2002


Palavras

Ando numa fase tão preguiçosa da minha vida, que as palavras que acabo de ler, de uma antiga carta que encontrei do ex-professor e grande amigo Dênis de Moraes, me soaram com uma força incrível...

"Não fuja dos desafios - são eles que tornam a existência menos monótona e previsível. Mesmo que não consigamos apenas vitórias, como desejaríamos. (...) É preciso avançar na direção das utopias, das verdadeiras utopias. Elas são absolutamente necessárias aos nossos espíritos."
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quarta-feira, outubro 09, 2002


Mulheres

"Décimo de segundo é a fração de tempo necessária para uma mulher verificar que a outra mulher, que acaba de lhe ser apresentada, tem olhos azuis, sapatos amarelos com salto mexicano, colar de pérolas falsas, meias de náilon sem costura, cinto fingindo jacaré de matéria elástica e dentadura postiça"
(Barão de Itararé)

"Porque uma mulher dá duro durante dez anos para mudar os hábitos de seu marido e depois se queixa de que ele não é mais o homem com quem ela se casou?"
(Barbara Streisand)

"As mulheres satisfeitas não traem, mas quem já viu uma mulher satisfeita?"
(Alfred E. Neuman)

"As mulheres estragam qualquer romance com essa mania de querer que eles durem para sempre"
(Oscar Wilde)

"Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?"
(Sigmund Freud)

"Mulheres e elefantes nunca esquecem."
(Dorothy Parker)

"As mulheres costumam ser implacáveis para dar mais encanto ao seu perdão."
(Honoré Balzac)

"A intuição é aquele estranho instinto que permite a uma mulher saber que está certa, esteja ou não."
(Helen Rowland)

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terça-feira, outubro 08, 2002


O monstro brasileiro

(...) Estranho e contraditório monstro, o eleitorado brasileiro. As derrotas de Collor, Maluf, etc. seriam sinais de maturidade, mas o que dizer da vitória do Enéas para a Câmara dos Deputados, em São Paulo, com a maior votação da história? E da volta consagradora de Jader Barbalho ao Congresso? ACM de volta ao Senado só não é outro exemplo de incoerência do monstro porque o caso da Bahia com ele transcende o folclore político e entra pelo misticismo, e religião não se discute. Brizola não está na lista dos "caciques" rejeitados, em primeiro lugar porque não é do mesmo tipo dos citados, e em segundo porque, se o nosso passado ensina alguma coisa, é que nenhum enterro do Brizola pode ser considerado definitivo.

Luis Fernando Veríssimo, 08.10.2002
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segunda-feira, outubro 07, 2002


Lamento pós-eleição

O resultado das eleições no Rio é a prova cabal da ingorância política e cultural dos nossos conterrâneos... Como é triste ter Rosinha por quatro anos...
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quarta-feira, outubro 02, 2002


Algumas perguntas que não querem calar...

- O que há escondido entre o couro cabeludo e o topete da Solange Amaral?
- Como será a cena do Garotinho transando com a Rosinha? (urgh!)
- Por que cargas d'água o filho do Francisco Cuoco resolveu ser deputado estadual?
- Como alguém tem coragem de colocar o nome da filha de Aspásia?
- Como é que pode o Marcelo Crivella estar em segundo lugar nas intenções de voto para Senador?
- Por que o Jorge Roberto Silveira tem medo até da própria sombra?
- O que eu fiz para estar de plantão nas eleições????
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Dar-se conta

Perfeito como sempre, aí vai o texto do Luís Fernando Veríssimo, no Jornal O Globo, de ontem.

Até agora foi aquecimento. A semana que decide é esta. Quem tem cartucho sobrando, trunfo guardado, carta na manga, solução no bolso do colete ou surpresa no armário vai usar agora. Esta semana, qualquer fato novo é suspeito. Até temporal pode ser manobra eleitoreira. Desconfie de tudo. O cachorro está diferente? O café com um gosto estranho? Possíveis sinais de que algo está sendo preparado. Analise cada "bom-dia" para saber sua intenção secreta. Se lhe derem um "oi", pergunta em que sentido. Não acredite em nada que lhe disserem, muito menos os jornais. E não duvide dos paranóicos - desconfie de quem não for!

Esta é a semana, também, para as pessoas que ainda não tinham se dado conta, se darem conta. Se você se acostumou com o Lula candidato, se achava que candidatura do Lula era um acontecimento quadrienal regulamentado, como a Copa do Mundo (crianças se criaram com a idéia de que "eleição é aquilo que o Lula perde"), se via cada nova tentativa do Lula, pobrezinho, de ser presidente como apenas outra das eternas frustrações do povo brasileiro, coitado, tão despreparado e tão iludido, ou se até votava no Lula para ser simpático sabendo que não havia perigo de ele ganhar - dê-se conta de que desta vez pode ser no primeiro turno. Quem votava no Lula não por hábito mas por convicção tem mais razões ainda para se beliscar e bater com a cabeça na parede, pensando que é sonho e tentando acordar, depois de se dar conta. E você que não concebe o Lula na Presidência, e sempre confiou em que iria acontecer alguma coisa para impedir isto, dê-se conta que esta é a última semana para acontecer alguma coisa.

E tem aquelas pessoas admiráveis que acham voto obrigatório um saco e todos os políticos iguais, e que só esta semana vão se dar conta que no domingo tem eleições e elas precisam votar. Em quem, meu Deus?

Deixa ver quem são os candidatos. Iiih, o Lula outra vez? Vai nesse mesmo, que pelo menos é persistente.

A semana que decide é esta.
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