Diário de um feijão

quinta-feira, dezembro 12, 2002


Dúvida

O Lula acaba de anunciar oficialmente o nome do novo presidente do Banco Central, o deputado federal eleito Henrique Meirelles (PSDB-GO), que foi presidente mundial do BankBoston. Nenhum problema com o nome, mas com a sigla que sucede o seu nome. De qualquer forma, ainda não tenho uma opinião totalmente formada. Por um lado, se o cara é um bom técnico e topar a filosofia do PT para trabalhar, por que não? Além do mais, o fato de ser do PSDB pode até ser positivo, afinal esses caras são os maiores "maria vai com as outras". Me resta esperar que o governo domine o cara e não o contrário, para evitar que o bendito use a oportunidade para favorecer a sua classe, que, aliás, eu quero distância: a dos banqueiros.
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Fome

"Metade da humanidade não come;
e a outra metade não dorme,
com medo da que não come"
Josué de Castro | 1908 - 1973
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terça-feira, dezembro 10, 2002


Mãe coruja

Olhaí as caracterísicas do meu filho. Tinha que ser meu, né...

É um cão inteligente e alegre.
Pode tem pelagem curta ou longa nas cores preta, marrom ou arlequim.

(A foto não é do Lico. É de um primo dele, que achei na Internet, no site www.vidadecao.com.br)

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Ame e dê vexame

Texto do Roberto Freire, em versão adaptada. Mexer num texto desses é uma afronta, mas é perdoável.

Você ama aquele petulante.
Você escreveu dúzias de cartas que ele não respondeu, você deu flores que ele deixou a seco.
Você gosta de rock e ele de chorinho, você gosta de praia e ele tem alergia a sol, você abomina o Natal e ele detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então que ele tem um jeito de sorrir que a deixa imobilizado, o beijo dele é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ele e ele adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário, ele escuta Egberto Gismonti e Sivuca. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga.

Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte pra mim.

Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes de Woody Allen, dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estrelar.
Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa. Ninguém ama outra pessoa porque ela é
educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referências.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó.

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é...

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